domingo, 23 de novembro de 2008

Sistematicamente cronometrado

Nada mais intrigante do que aquele barulho de tic-tac, do relógio da sala, que sequer nunca tinha sido ouvido. Sim. Ela estava entediada. Era sábado, quase domingo. A cidade estava calada, as casas faziam silêncio. Menos o relógio. No tic, ela pensava nas coisas que tinha feito ontem. No tac, vinham à tona, as mudanças. Sabe, daquelas de dois meses. No tic, o medo do que estava por vir. No tac, a coragem para encarar o novo. No tic, o pensamento foi interrompido porque o cachorro começou a latir. No tac, o coração bateu forte. No tic, deu uma espiada pela janela. No tac, não viu ninguém. No tic, resolveu tomar um banho. No tac, se maquiar. No tic, escolheu a roupa. No tac, colocou salto alto. No tic, os brincos. No tac, passou perfume. No tic, começou a chover. No tac, pegou o guarda-chuva, as chaves do carro e os documentos. No tic, ligou para a melhor amiga. No tac, caiu na balada e voltou quando o relógio - programado na noite anterior - resolveu despertar. Ela o desligou, tomou banho, disse Bom Dia e foi dormir. Finalmente o tic-tac silenciou.

terça-feira, 18 de novembro de 2008

Com carinho, ao Piegas...

O maior amor do mundo é aquele sentido em uma fração de segundos. Bem piegas, instantâneo e nada superficial.
Os passos apurados na saída do ônibus. A visão que se prolonga ao procurar aquela pessoa querida que não vê há tempos. A primeira colherada em um mousse Nha Benta da Kopenhagen. O sorriso contido depois de uma piada sem graça. O olhar envergonhado depois de um tropeço. O banho de chuva em uma tarde de sábados sem expectativas. A brisa leve no rosto, no meio de uma tarde quente. O ataque de riso por uma besteira que só você acha graça. A música boba que insiste em ficar na cabeça.
Um fração de eternidade para o maior amor do mundo. O jeito Piegas de ser...